Entrevista Exclusiva com Anders de la Motte


Anders de la Motte é o autor da Trilogia The Game publicada no Brasil pela DarkSide Books. Quando terminei a leitura do Volume 1 eu já tinha me tornado sua fã.
Confiram agora uma entrevista exclusiva concedida pelo autor para o blog.

- O Volume 1 da trilogia The Game impressiona pela agilidade da narrativa e pela capacidade de envolver totalmente seus leitores. Como surgiu a primeira ideia para a trilogia? 

- Eu tive a ideia de escrever uma história sobre um anti-herói que fosse o completo oposto do típico herói policial/repórter/advogado da maioria das histórias, então eu inventei um vagabundo preguiçoso, egoísta, sem escrúpulos e maconheiro. 
Eu queria dar um nome bem legal a ele, mas quando eu escrevi a sinopse eu não consegui pensar em nenhum... Então eu o chamei apenas de “Personagem Principal”, ou “Huvudpersonen”, em sueco. Por ser uma palavra extensa, comecei a abreviar para “HP”, afim de poupar tempo, e essa abreviação acabou grudando em mim. Não foi muito depois que decidi chama-lo de “Henrik Petterson” com o intuito de combinar com suas iniciais, então podemos dizer que ele criou seu próprio nome. 
O problema com HP é que eu tive muita dificuldade em fazê-lo levantar do sofá e adentrar algum tipo de aventura. Diferente dos heróis tradicionais, o anti-herói é muito difícil de ser atraído para a ação. Policiais, repórteres ou advogados são naturalmente curiosos e normalmente se envolvem a partir de seus trabalhos. HP não tinha nenhuma dessas habilidades. Eu tive que tentar entrar na mente do HP para ver se encontrava algum motivador. 
Uma vez que descobri sua forte necessidade de atenção, afirmação e sua frustração em saber que era especial, mas que não tinha como mostrar isso ao mundo, eu entendi o que tinha que fazer. Inventei um jeito de ele interpretar o papel principal em seu próprio jogo/filme/série de TV e, assim, criei “O Jogo”. 
Assim que HP recebeu o convite, ele pulou do sofá e a aventura decolou.

- HP é um anti-herói impossível de não se amar. Grande parte disso se deve ao fato de podermos ver o quanto ele é próximo da realidade com seus defeitos e qualidades. HP foi inspirado em alguém real?

- HP é aquela pequena voz, que muitos de nós temos, que nos conta o quanto somos desvalorizados. E que nós merecemos muito mais do que temos. Um aumento de salário, uma promoção ou apenas um pouco mais de estima. Ele é a nossa voz que gosta de ser “curtido” ou ‘retwetado”, a mesma voz que faz muitos de nós postar fotos dos nossos almoços ou dos nossos pés enterrados na areia da praia. HP é, também, minha criança interior, aquela pequena voz que me desafia a apertar o botão de emergência no elevador. 
Já conheci algumas pessoas como ele mas, em grande parte, ele é inventado. Apesar de todos os seus vícios, ele tem um bom coração, e mesmo que me leve à loucura algumas vezes, (e eu realmente o coloco nas mais variadas dificuldades) mesmo assim eu o amo. 
Você pode derrubá-lo, mas ele sempre encontrará uma maneira de levantar logo em seguida. :)

- Quando terminei a leitura do Volume 1, senti um misto de emoções, agarrei o livro e só conseguia perguntar: "O que? Como assim? E agora?" O que podemos esperar dos próximos dois livro?

- Haha, na minha sinopse inicial para “O Jogo” eu, na verdade, escrevi “precisa ter o final Kayzer Söze” (do filme “Os Suspeitos”). Fico feliz em ver que consegui atingir este objetivo. 
No próximo livro, “Ruído”, o mistério crescerá. Será que “O Jogo” é realmente a conspiração internacional que HP imagina? Se for, por que ninguém ainda foi capaz de expô-la? Quem é o Mestre do Jogo e por que ele escolheu HP? 
E onde Rebecca e Manga se encaixam no cenário? Neste livro vocês também conhecerão alguns novos e fascinantes personagens e podem esperar por uma aventura acelerada, começando em Dubai e na África, e terminando num grande confronto, bem no coração de Estocolmo.

- [Ruído], a fase dois do jogo será lançado no final de outubro aqui no Brasil pela Editora DarkSide e eu estou extremamente ansiosa para esse lançamento. A capa deste volume tem somente a imagem da Rebecca e com isso o foco da narrativa será maior para a sua personagem?

Rebecca terá um papel ainda maior neste livro, com certeza. Ela encontrará problemas de diversas naturezas, tanto pessoais quanto profissionais, fazendo com que ela duvide de suas habilidades. Este é o livro no qual ela tem a oportunidade de evoluir de uma simples guarda-costas seguidora de ordens à algo mais. Mas HP ainda continua muito presente e, depois de um início dramático, ele tomará algumas decisões bem inesperadas, que surpreenderam até a mim mesmo :)

- Teorias da conspiração são um terreno muito fértil para os escritores. Qual outra teoria, além de O Jogo você acha que seria interessante escrever sobre?

Oh, existem tantas... No meu antigo trabalho como Gerente de Segurança eu viajei grande parte do mundo, e se tem uma coisa que todos os países parecem ter em comum, independente de cultura ou religião, é a fascinação pelas teorias de conspiração. 
Eu flertei com algumas nos meus livros, tanto suecas quanto internacionais, e eu tenho certeza que vocês têm as suas próprias teorias no Brasil, certo? 
Um grande acontecimento requer uma explicação de igual escala, senão simplesmente não aceitamos. 
E nesta era digital está mais fácil do que nunca monitorar o que as pessoas estão fazendo, ainda mais quando oferecemos voluntariamente grande parte desta informação em nossas redes sociais ou nos nossos rastros da internet. No mais, mesmo que a conspiração da NSA tenha sido exposta pelo Edward Snowden, ainda existe muito solo fértil disponível. É só imaginar que são companhias coletando estes dados para prever e controlar o comportamento dos consumidores ao invés das agências de inteligência. Esta, na verdade, é a trama do terceiro livro, “Bolha”.

- Quais são seus futuros projetos no campo da literatura? No momento você está trabalhando em uma nova história?

Desde a trilogia “The Game”, eu escrevi mais dois livros de uma nova série. O primeiro, “MemoRandom”, lançará no Brasil ano que vem, eu acho. A sequência, “UltiMatum”, foi lançado aqui na Suécia esta semana, então eu estou muito animado em ouvir o que os leitores acharam. 
“MemoRandom” se desenrola ao redor de David Sarac, um policial muito habilidoso em recrutar e manipular informantes e agentes infiltrados no crime organizado, usando quaisquer métodos necessários (chantagem, ameaças ou subornos) para que o trabalho seja feito. Sua jóia da coroa é um agente infiltrado de codinome Janus, cuja identidade verdadeira apenas ele conhece. Mas, quando Sarac sofre um acidente de carro e tem um derrame, ele perde parte de sua memória e o controle de sua cuidadosa rede, incluindo a identidade verdadeira de Janus. De uma hora para outra, ele se torna um alvo fácil para todos que estão atrás dos seus segredos. 
A série “MemoRandom” é um pouco mais obscura que a trilogia “The Game”, como os thrillers de policiais durões, mas com o mesmo ritmo e reviravoltas, sem falar nos finais “Kayzer Söze”, que vocês encontram na trilogia “The Game”.

- Gostaria muito de agradecer você pela entrevista e dizer que sou sua fã, ou melhor os brasileiros são seus fãs. 

Obrigado por estas ótimas perguntas! Estou muito emocionado com a recepção fantástica que “O Jogo” teve no Brasil!

Anders de la Motte foi oficial de polícia e diretor de segurança de uma das maiores companhias de TI do planeta. Atualmente, trabalha como consultor de segurança internacional.
De La Motte escreve em ritmo acelerado, misturando humor, suspense e comentários sobre informática e mídias sociais. Seu texto é selvagem e repleto de referências à cultura pop. O premiado Volume 1 da Trilogia The Game é sua estreia na ficção.

Quero muito agradecer novamente a gentileza do autor em responder as minhas perguntas prontamente, ao meus amigos Marcus Vinícius e G.J. Stark que fizeram a tradução e também a DarkSide por tornar possível essa entrevista.

 Enjoy! See you soon!

Entrevista Exclusiva com Anders de la Motte Entrevista Exclusiva com Anders de la Motte Reviewed by Evelyne V. Nami on 6.10.15 Rating: 5

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