Resenha: Cristo Radioativo

Cristo Radioativo
Ana Luísa Abreu
406 páginas - 2018
Ebook gentilmente cedido pela autora

Em um Rio de Janeiro pós apocalíptico, conhecemos Hebe. A narrativa é como um diário da adolescente, que nos conta como está parte da cidade depois da Grande Guerra Nuclear.


Ela e sua família vivem, aparentemente, seguros graças a grande corporação Nestelar, que cercou e protege a cidade e também é responsável pela ração que os alimenta.

Outras famílias também dependem totalmente da corporação para sobreviver e com isso ela consegue se manter no controle sem muitos questionamentos internos sobre seus métodos.

Hebe sempre sonhou em conhecer a capital e por isso escolheu fazer Engenharia de Telecomunicações e poder sair da "prisão" que é a cidade em que vive. E seu primeiro desafio é enfrentar seus pais que são contra a essa escolha, porque temem por sua segurança.

Entre ataques de mutantes afetados pela radiação nuclear, rebeldes descontentes com a Nestelar e a escola que decidirá qual o rumo que a vida dos adolescentes vai seguir, existe também a ligação desde a infância de Hebe com JP. A amizade e o convívio é algo muito importante para os dois e isso irá influenciar suas escolhas sobre o futuro.

Ao longo da narrativa Hebe amadurece e percebe que nem tudo que lhe contaram a vida toda é verdade. Ela então mergulha em um mundo desconhecido em busca de respostas.

Finalista do concurso Rio de Literatura de 2015 na categoria Novo Autor Fluminense, Cristo Radioativo possui vários elementos de uma boa distopia e é viciante acompanhar Hebe e suas descobertas.
 
A história apresenta também questionamentos sobre os conceitos de liberdade e segurança. Podemos fazer uma comparação das cidades seguras com as nossas casas. Também vivemos cercados de grades em busca de proteção, na maioria das vezes sem sucesso. E nos faz refletir sobre o nosso futuro caso não mudemos de atitude.


–Toda tecnologia do mundo não foi capaz de deter a guerra ou a poluição que acabou com nosso clima e destruiu nossas plantações. Tanta comunicação para quê? Todos sabiam que o mundo estava sendo destruído mas ninguém fez nada. Sabia que havia um slogan, Hebe? O slogan era algo como “Salvem o Planeta”. Toda tecnologia, todo conhecimento, e eles colocavam a coisa toda na terceira pessoa. Como se fosse o planeta que precisasse ser salvo. Um planeta não morre, Hebe. Não por causa de um pequeno aquecimento global de três, quatro graus. Esse planeta já viu temperaturas muito mais altas do que estas. Nunca foi o planeta que precisava ser salvo. Sempre fomos nós. O slogan deveria ter sido “Salvem a raça humana”. Talvez assim teríamos prestado mais atenção a ele.

Enjoy! See you soon!

Resenha: Cristo Radioativo Resenha: Cristo Radioativo Reviewed by Evelyne V. Nami on 21.12.18 Rating: 5

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